A Exponor recebeu, a 23 e 24 de setembro, dois eventos com áreas de intervenção diferentes, mas vários pontos de contacto: a quarta edição da ENERH2O – Energy and Water Innovation & Technology e a estreia da EXPOPROCESSOS. Energia, água, climatização e processos industriais estiveram lado a lado, com fabricantes, distribuidores, instaladores e empresas de engenharia a apresentarem soluções para responder a necessidades cada vez mais concretas no terreno. 'O Instalador', enquanto media partner, acompanhou os dois certames.
Na ENERH2O, o foco esteve nas tecnologias associadas à produção e gestão de energia, aos recursos hídricos e à climatização. O espaço expositivo reuniu soluções para energias renováveis, autoconsumo, armazenamento, hidrogénio e geotermia, mas também equipamentos destinados ao tratamento, abastecimento e gestão da água.
Mais do que a diversidade de produtos, o que sobressaiu foi a aproximação entre áreas que durante muito tempo foram tratadas de forma separada. Hoje, uma instalação pode envolver produção fotovoltaica, armazenamento, climatização, controlo e gestão de consumos. A componente digital acompanha esta evolução, com equipamentos cada vez mais preparados para comunicar entre si e disponibilizar informação aos utilizadores e técnicos.
A eficiência foi, por isso, um dos temas transversais da feira. Não apenas enquanto objetivo energético, mas como uma questão prática para quem projeta, instala e mantém equipamentos. Reduzir consumos, detetar perdas, acompanhar o funcionamento dos sistemas e evitar intervenções desnecessárias são preocupações que estão a chegar ao trabalho diário dos profissionais.
A ENERH2O manteve também uma componente dedicada à partilha de conhecimento, através de conferências e apresentações técnicas. Num mercado em mudança, a atualização dos profissionais assume um peso crescente, sobretudo quando novas tecnologias chegam acompanhadas por alterações regulamentares e novas exigências de instalação e manutenção.
A estreia da EXPOPROCESSOS trouxe uma perspetiva diferente para a Exponor. O novo certame esteve direcionado para as tecnologias aplicadas aos processos industriais, abrangendo setores como o agroalimentar, farmacêutico, químico, papel e madeira, cerâmica, mineração, reciclagem, energia, plásticos, metalomecânica e automóvel.
Também aqui a tecnologia aparece cada vez menos como um elemento isolado. Instrumentação, automação, recolha de dados e monitorização começam a fazer parte da mesma equação. Para a indústria, saber o que está a acontecer num processo é tão importante como conseguir intervir quando surge um problema.
A manutenção é um bom exemplo desta mudança. A utilização de equipamentos de diagnóstico mais avançados permite identificar falhas mais cedo, reduzir tempos de intervenção e tomar decisões com base em informação. É uma tendência que aproxima a EXPOPROCESSOS das preocupações presentes na ENERH2O.
Apesar de serem dois eventos distintos, a realização em simultâneo acabou por evidenciar esta ligação. A energia necessária para alimentar uma instalação, a eficiência dos equipamentos, a gestão da água, a automação de processos e a informação recolhida pelos sistemas fazem hoje parte de uma mesma discussão: como utilizar melhor os recursos disponíveis.
Para os profissionais das instalações técnicas, esta aproximação tem uma consequência prática. O conhecimento necessário para trabalhar no setor está a tornar-se mais transversal. Já não basta conhecer um equipamento isoladamente; é necessário perceber como este se relaciona com os restantes sistemas e, cada vez mais, saber interpretar a informação que estes produzem.
As empresas presentes nos dois certames deram exemplos concretos desta evolução. Na EXPOPROCESSOS, a Contimetra-Sistimetra mostrou como a instrumentação está a ganhar uma dimensão mais ligada à comunicação e à manutenção preditiva. Na ENERH2O, Solar Shop, Enstall Group/Sunfer, Bresimar Automação e Eurofred apresentaram soluções que respondem a diferentes desafios, desde a evolução do fotovoltaico e da montagem até ao diagnóstico de equipamentos e à transição dos fluidos frigorigéneos.
É neste contacto entre tecnologia e aplicação prática que estes eventos encontram parte da sua relevância para o setor profissional. Mais do que antecipar tendências, permitem perceber quais já estão a chegar ao terreno e que impacto podem ter no trabalho de quem projeta, instala, mantém e gere sistemas.
A estreia da EXPOPROCESSOS e a continuidade da ENERH2O deixam, assim, uma fotografia de um mercado em transformação. Com tecnologias diferentes, mas com preocupações cada vez mais próximas: eficiência, informação, formação e capacidade para responder a instalações e processos mais complexos.
A Contimetra-Sistimetra levou à primeira EXPOPROCESSOS uma parte da sua oferta mais direcionada para a indústria. Em destaque estiveram soluções para medir nível, temperatura, caudal e pressão, com aplicações em áreas tão diferentes como a indústria química, alimentar e farmacêutica.
A empresa apresentou também equipamentos para medição de vapor e ar comprimido e válvulas para processos asséticos. Mas há uma mudança que começa a ser evidente neste tipo de equipamentos: já não basta medir. É cada vez mais importante conseguir perceber o que está a acontecer e transmitir essa informação a quem está a acompanhar o processo.
É aqui que entram equipamentos capazes de comunicar com os operadores, registar dados e assinalar situações anómalas. A informação recolhida pode depois ser utilizada para antecipar problemas e apoiar a manutenção preditiva. “É cada vez mais importante que o equipamento comunique com a operação”, afirma André Guedes.
A participação na EXPOPROCESSOS serviu ainda para procurar novos contactos e parceiros, numa altura em que a empresa identifica a globalização como um dos desafios do mercado e procura reforçar o seu papel enquanto distribuidor e parceiro técnico.
Para a Solar Shop, esta edição da ENERH2O foi também uma oportunidade para mostrar ao mercado algumas das parcerias que tem vindo a construir. A principal novidade foi a representação da Huawei em Portugal, enquanto Silver Partner.
A empresa levou ainda à feira a evolução da parceria com a Weco, marca italiana, que deixou de estar limitada ao armazenamento e às baterias. A oferta passa agora também pelos inversores, mobilidade elétrica e baterias comerciais e industriais de maior capacidade.
Nos microinversores, a Solar Shop apresentou soluções da Hoymiles, com uma gama mais compacta pensada sobretudo para o mercado residencial. A dimensão dos equipamentos começa, aliás, a ser uma preocupação para quem instala sistemas em habitações, onde o espaço disponível e o impacto visual contam cada vez mais.
Mas a conversa sobre o futuro do fotovoltaico não fica pelos equipamentos. Tiago Cardoso aponta a inteligência artificial como uma das tecnologias que poderá mudar a forma como a energia é gerida, cruzando a produção solar, o armazenamento e os consumos da habitação ou da empresa. Para Tiago Cardoso, responsável de marketing, “As tendências tecnológicas estão cada vez mais ligadas à inteligência artificial”.
O responsável chama também a atenção para a regulamentação e certificação do setor, defendendo maior exigência na formação dos profissionais que trabalham com instalações fotovoltaicas.
A Sunfer, empresa do grupo Enstall, chegou à ENERH2O com duas novidades que nasceram, segundo Hugo Costa, sales manager, de pedidos e necessidades concretas dos seus clientes. Uma delas é o Sunfer Block, um sistema de suporte fotovoltaico baseado em blocos pré-fabricados de betão que combinam estrutura e lastro num único elemento. Nesta solução, o peso do bloco é aproveitado para garantir a estabilidade dos painéis solares, simplificando a instalação, reduzindo o número de componentes e minimizando as intervenções na cobertura ou no terreno. E as salva-telhas universais.
A ideia é relativamente simples: disponibilizar ao instalador soluções que encaixem melhor na obra e evitem adaptações feitas no momento da montagem. É também por isso que a empresa tem vindo a apostar em ferramentas de cálculo que ajudam a escolher os componentes necessários para cada instalação.
A questão ganha importância num mercado onde o preço continua a ter um peso significativo nas decisões. Para a Sunfer, competir não passa apenas pelo custo do produto, mas também pela capacidade de oferecer uma solução adequada ao trabalho que o instalador tem pela frente.
Para Hugo Costa, sales manager da Sunfer, "o nosso desafio é, cada vez mais, proporcionar ao instalador produtos específicos para as obras que tem em mãos.”
A Bresimar Automação voltou à ENERH2O com uma seleção de soluções Fluke de teste e medição. O equipamento que mais chamou a atenção foi uma câmara acústica para deteção de fugas de ar comprimido.
Para uma equipa de manutenção, encontrar uma fuga pode ser uma tarefa demorada, sobretudo em instalações com muitos equipamentos e tubagens. A câmara permite localizar mais rapidamente a origem do problema e orientar a intervenção.
A diferença pode ser significativa. Segundo a Rúben Santos, responsável de marketing, “uma tarefa que pode demorar uma a duas horas pode passar a ser realizada em 10 a 15 minutos”.
A Bresimar apresentou ainda outros equipamentos Fluke, como multímetros, pinças amperimétricas e analisadores de energia. São ferramentas que fazem parte do trabalho diário das equipas de manutenção e que acompanham uma tendência mais ampla: utilizar tecnologia para diagnosticar problemas mais depressa e tomar decisões com mais informação.
Para a empresa, a questão passa também por aproximar estas tecnologias dos técnicos e mostrar, no terreno, de que forma podem facilitar o trabalho.
A Eurofred apresentou na ENERH2O soluções de climatização com foco na eficiência energética, incluindo bombas de calor e sistemas de ar condicionado. Mas um dos temas que marcou a participação da empresa foi a mudança nos fluidos frigorigéneos, acompanhando a evolução da regulamentação europeia.
A transição coloca novas exigências aos profissionais, sobretudo ao nível da instalação, manutenção e segurança dos equipamentos. “Um dos grandes desafios será garantir que o mercado consegue fazer esta transição tecnológica”, referiu Sérgio Marques, da Eurofred Portugal.
Para a empresa, a adaptação do mercado dependerá também da capacidade dos instaladores para acompanhar a evolução tecnológica e trabalhar com os novos fluidos.



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