APIRAC
09/09/2026
O projeto constitui o ponto de partida. O correto dimensionamento, a seleção dos equipamentos, os caudais, as temperaturas de funcionamento, a distribuição e as estratégias de controlo são determinantes. Um equipamento de elevada eficiência não consegue compensar um sistema mal dimensionado ou inadequadamente concebido.
Na fase de instalação, a qualidade da execução é igualmente importante. Tubagens mal isoladas, condutas com fugas, circuitos hidráulicos desequilibrados ou sistemas de controlo incorretamente configurados podem comprometer significativamente o desempenho previsto. Por isso, não basta instalar corretamente os equipamentos: é necessário verificar se a instalação funciona conforme projetado.
Ao longo da vida útil dos sistemas de AVAC, a manutenção passa a ter um papel decisivo. Filtros obstruídos, permutadores sujos, fugas de fluido frigorigéneo, sensores descalibrados ou parâmetros de controlo inadequados podem provocar aumentos significativos dos consumos. A manutenção deve, por isso, deixar de ser vista apenas como uma atividade destinada a reparar avarias e passar a ser também uma ferramenta de preservação do desempenho energético.
Também a gestão técnica e os utilizadores influenciam diretamente os resultados. Horários excessivos, 'setpoints' inadequados ou utilização incorreta dos sistemas podem anular parte dos ganhos obtidos através de equipamentos eficientes.
O desempenho energético de uma instalação de AVAC resulta, portanto, da contribuição de vários intervenientes:
O setor AVAC deve evoluir de uma lógica centrada na eficiência nominal dos equipamentos para uma abordagem baseada no desempenho real e global da instalação. Indicadores como COP, EER, SEER ou SCOP são fundamentais para caracterizar equipamentos, mas não garantem, por si só, que uma instalação seja eficiente em condições reais de funcionamento. O verdadeiro objetivo deve ser assegurar, simultaneamente, conforto, qualidade do ar interior, fiabilidade e eficiência energética.
Por este motivo, a responsabilidade pelo desempenho energético de uma instalação de AVAC deve ser partilhada ao longo de todo o seu ciclo de vida. No entanto, responsabilidade partilhada não deve significar responsabilidade diluída.
A pergunta “qual é o equipamento mais eficiente?” deverá, cada vez mais, dar lugar a uma questão mais abrangente: “Quem garante que a instalação, como um todo, continua a funcionar de forma eficiente?” É nesta transição da eficiência do produto para o desempenho real do sistema que se encontra um dos grandes desafios do futuro do setor.






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