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Entrevista

"A manutenção é muitas vezes considerada o 'parente pobre' das instalações"

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“Em Portugal persiste muitas vezes a ideia de que aquilo que é importado tem uma qualidade superior ao que é produzido nacionalmente, o que nem sempre corresponde à realidade”.
“Para além de continuarmos focados nos nossos clientes da área industrial e hospitalar, pretendemos crescer sobretudo em duas outras áreas que em nosso entender terão um crescimento acelerado nos próximos anos: a construção de datacenters e a construção de habitação de luxo.”

Rui Vieira escolhe as palavras com cuidado, mas não as poupa quando é preciso. O diretor-geral da Pinto & Cruz Energia e Sistemas fala com a autoridade de quem conhece o setor por dentro — e por isso não hesita em nomear o que considera uma falha recorrente do mercado: a manutenção continua a ser a primeira rubrica a ser cortada em tempos de crise, como se fosse um custo dispensável e não aquilo que, na prática, mantém tudo a funcionar. À frente de uma empresa com mais de nove décadas de história e presença no Porto, Lisboa e Algarve, Rui Vieira faz um retrato honesto de um setor em aceleração; entre a corrida aos datacenters, a eletrificação da indústria e as salas brancas dos blocos operatórios onde não há margem para erro.

Rui Vieira, diretor-geral da Pinto & Cruz Energia e Sistemas
Rui Vieira, diretor-geral da Pinto & Cruz Energia e Sistemas.

Que fatores distinguem atualmente a atuação da Pinto & Cruz Energia e Sistemas?

A Pinto & Cruz Energia e Sistemas distingue-se por uma abrangência bastante ampla em todas as áreas ligadas às instalações eletromecânicas, que vão desde as redes hidráulicas, às instalações de AVAC, fotovoltaico e instalações elétricas. Para além disso, temos uma cobertura nacional a partir de três delegações – Porto, Lisboa e Algarve, que nos permite assegurar com eficiência serviços de manutenção e assistência técnica dessas mesmas áreas de uma forma rápida e eficiente otimizando recursos que são cada vez mais escassos.

Como está estruturada a área da empresa e que competências técnicas a tornam diferenciadora?

A empresa tem dois grandes departamentos, um de execução de obras eletromecânicas e outro de manutenção e assistência técnica. Temos um corpo técnico bastante experiente, somos neste momento mais de 20 engenheiros mecânicos e eletrotécnicos, divididos pelos dois departamentos e pelas três localizações geográficas.

De que forma evoluiu o portefólio de serviços da empresa para responder às exigências atuais do mercado?

O nosso foco são os clientes industriais e os concursos públicos, sobretudo os ligados à área hospitalar, que são dois segmentos tradicionais do grupo Pinto & Cruz de há muitos anos.

Os clientes industriais são, por norma, exigentes no que diz respeito à qualidade do serviço e o fator preço não é o único fator de decisão aquando da adjudicação. Relativamente à área hospitalar, a exigência deste tipo de instalação, nomeadamente no que à qualidade do ar diz respeito, acaba por fazer uma seleção do tipo de empresa capaz de executar esse tipo de obra ou manutenção, o que nos coloca muitas vezes em vantagem fruto de uma experiência acumulada de muitos anos conforme referi anteriormente.

Como é assegurada a integração entre projeto, instalação e manutenção nas soluções desenvolvidas?

De facto, existem situações em que desenvolvemos soluções de obra de conceção e execução, e após a execução desta apresentamos uma proposta de manutenção da instalação. No fundo, nestes casos, apresentamos um serviço completo desde o projeto à execução e manutenção ou mesmo condução das instalações.

Que setores apresentam hoje maior exigência técnica e operacional e como se posiciona a empresa para lhes responder?

O setor hospitalar continua a ser o de maior exigência ao nível da execução, pois contem requisitos ao nível de qualidade de ar interior bastante rigorosos, bem como controlo de pressões e de humidade. Volto a referir que, para a execução deste tipo de obras, é fundamental a experiência e o conhecimento de um corpo técnico capaz para que no final da execução, sobretudo quando estamos a falar de blocos operatórios, as muitas vezes denominadas de “salas brancas”, se consigam atingir os requisitos legais e obrigatórios e consequente certificação desses espaços.
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Que tipo de intervenções têm vindo a ganhar maior relevância no terreno, em termos de complexidade e escala? Pode dar alguns exemplos e casos concretos?

Existem, em minha opinião três áreas que estão neste momento a ganhar relevo e escala no mercado eletromecânico em Portugal. Desde logo os investimentos em datacenters para fazer face ao “boom” da inteligência artificial.

A segunda grande área é a ligada à transição energética da indústria e a referida eletrificação em detrimento dos combustíveis fósseis.

Por último, a construção de unidades hoteleiras que continuam a proliferar em Portugal de norte a sul.

Como são avaliados e selecionados os equipamentos e tecnologias utilizados nos vossos projetos?

Existem vários fatores que tentamos sempre ter em conta nos nossos projetos, desde logo a qualidade e a eficiência dos mesmos, bem como a sua relação qualidade preço.

Outro aspeto que tentamos incluir nas nossas obras, embora nem sempre seja possível, são materiais e equipamentos de fabricantes nacionais. A Pinto & Cruz é uma empresa portuguesa, com mais de nove décadas de experiência, e consideramos que deveria existir um maior reconhecimento da qualidade da produção nacional, no que diz respeito à preferência por materiais e equipamentos fabricados em Portugal.

Ao contrário dos nossos vizinhos espanhóis, em Portugal persiste muitas vezes a ideia de que aquilo que é importado tem uma qualidade superior ao que é produzido nacionalmente, o que nem sempre corresponde à realidade.

Que papel assume a manutenção preventiva e a monitorização na otimização do desempenho dos sistemas instalados?

Infelizmente a manutenção é muitas vezes considerada o “parente pobre” das instalações, não lhe sendo reconhecida a importância que efetivamente merece. Por outro lado, em períodos de crise, a primeira rubrica a sofrer cortes é normalmente a da manutenção, o que leva a uma consequente deterioração das instalações.

Contudo, é um facto que uma manutenção preventiva, regular e de qualidade, permite prolongar a vida útil dos equipamentos, manter a eficiência dos mesmos e otimizar os consumos de energia.

Quais são as principais prioridades estratégicas da Pinto & Cruz Energia e Sistemas no curto e médio prazo?

Para além de continuarmos focados os nossos clientes da área industrial e hospitalar, pretendemos crescer sobretudo em três outras áreas que em nosso entender terão um crescimento acelerado nos próximos anos: a construção de datacenters, centros logísticos de última geração e a construção de habitação de luxo.

No fundo são três nichos de mercado que facilmente atingem valores ao nível dos milhões de euros no âmbito das nossas áreas de atividade.

De que forma o atual enquadramento geopolítico e energético está a influenciar as decisões técnicas e operacionais da empresa?

Desde logo, existe a necessidade de racionalizar e otimizar as deslocações, uma vez que a Pinto & Cruz Energia e Sistemas possui uma frota bastante numerosa e o aumento exponencial dos combustíveis reflete-se imediatamente nos custos operacionais mensais. Nem sempre conseguimos repercutir esse sobrecusto no cliente final.

Outro aspeto em que temos procurado atuar prende-se com a aquisição antecipada de alguns materiais e equipamentos, de forma a precaver os aumentos generalizados que se têm verificado em praticamente todos os equipamentos, bem como nos custos de transporte.

Para mais informações, visite o website da Pinto & Cruz Energia e Sistemas

https://pintocruz.pt/pt/energia-e-sistemas/

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