A APIRAC apresentou ao Governo, no passado dia 17 de abril, em reunião com o secretário de Estado Adjunto e da Energia, Jean Barroca, um conjunto de temas para defesa da sensibilidade nacional, quer no quadro de regulamentação europeia em revisão, quer de regulamentação em implementação nacional.
Entre os temas assumiu relevo a promoção da Qualidade do Ambiente Interior (QAI) que constitui um dos propósitos centrais da Diretiva (UE) 2024/1275 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 24 de abril de 2024, que reformula e revoga a Diretiva 2010/31/UE, relativa ao desempenho energético dos edifícios (EPBD), pelo que a transposição da EPBD constitui nova oportunidade para assumirmos a Qualidade do Ar Interior (QAI) como uma prioridade nacional.
Até aqui, em Portugal, a ventilação tem sido esquecida como elemento fundamental e incontornável da Qualidade do Ar Interior em edifícios. As ações de prevenção, que já existiram no passado recente, e que foram eliminadas sem qualquer razão aparente, deveriam ser recuperadas [recordamos que a certificação de edifícios era denominada por “Certificação Energética e da Qualidade do Ar Interior” (Decreto-Lei n.º 79/2006)].
Na transposição da primeira diretiva europeia, sobre a eficiência energética em edifícios, era também efetuado um rastreio da Qualidade do Ar Interior (QAI), que até deu origem a uma certificação, por 864 engenheiros qualificados e reconhecidos no Sistema de Certificação Energética (SCE) com currículo comprovado no âmbito do funcionamento dos sistemas de climatização (denominados por TRF – Técnicos responsáveis pelo funcionamento dos Sistemas). Sendo que entre os técnicos reconhecidos pelo SCE no contexto da QAI, existiam ainda cerca de 250 Engenheiros Peritos em Qualidade do Ar Interior e mais de 2.000 técnicos de Instalação e Manutenção (TIM, agora TRM), que tal como os TRF atrás referidos, tinham formação obrigatória em QAI.
A microbiologia era sempre analisada por laboratórios certificados, do resultado deste rastreio saíam medidas simples de aplicação obrigatória sendo que, os casos que se apresentassem mais graves eram endossados à Agência Portuguesa do Ambiente (designação atual).
Esta realidade foi desconsiderada e desmaterializada no pacote legislativo de 2013. Posteriormente, em 2020/2021, numa tentativa de correção, infelizmente, o método preconizado pelo Decreto-Lei n.º 101-D/2020 e demais legislação regulamentar demonstrou-se ineficaz e inoperacional, por carecer da análise de ventilação e porque os técnicos escolhidos para a Avaliação Simplificada Anual (Técnicos de Saúde Ambiental) não possuírem conhecimentos dos sistemas nem do seu funcionamento.
Não basta a existência de legislação, normas e guias. Reduzir a QAI a uma mera medição e fiscalização de alguns parâmetros físico-químicos é ignorar por completo a realidade da construção e do funcionamento dos edifícios. A qualidade do ambiente interior tem de ser construída e mantida. Para tal, é necessário garantir-se o seguinte:
O reforço da cooperação entre a APIRAC e a Tutela é uma das prioridades da ação da Associação na defesa e promoção do mercado representado, nas suas diversas expressões e competências.





oinstalador.novaagora.com
O Instalador - Informação profissional do setor das instalações em Portugal