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Digitalização e controlo de edifícios inteligentes

"Um novo paradigma na gestão de edifícios"

José Segadães, engenheiro eletrotécnico da CEST

09/04/2026
“No contexto europeu, a digitalização dos edifícios assume um papel estratégico, alinhado com as metas de descarbonização da União Europeia. A aplicação destas tecnologias aos sistemas AVAC contribui para a redução do consumo energético e para a melhoria do desempenho ambiental do edificado.”

A digitalização está a transformar profundamente a forma como os edifícios são concebidos, operados e mantidos. Neste contexto, o conceito de edifício inteligente assume um papel central na melhoria da eficiência energética, na promoção da sustentabilidade e no aumento do conforto dos ocupantes. Tecnologias como sistemas de automação, sensores inteligentes e plataformas digitais permitem monitorizar continuamente o desempenho dos edifícios e ajustar o funcionamento dos equipamentos de forma dinâmica e eficiente.

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Entre os sistemas técnicos presentes num edifício, o AVAC (aquecimento, ventilação e ar condicionado) destaca-se pela sua relevância. Em edifícios comerciais, hospitais e hotéis, estes sistemas podem representar entre 40% e 60% do consumo energético total, constituindo um dos principais focos das estratégias de eficiência energética. A sua otimização tem impacto direto na redução de custos operacionais, na melhoria do conforto térmico e na diminuição das emissões de carbono.

Tradicionalmente, os sistemas técnicos — como AVAC, iluminação, segurança e distribuição elétrica — funcionavam de forma isolada. Atualmente, os sistemas de gestão de edifícios (SGE), também designados por BMS (Building Management Systems), permitem integrar estes subsistemas numa plataforma centralizada. Estes sistemas funcionam como o “cérebro” do edifício, recolhendo dados em tempo real e permitindo uma gestão eficiente do consumo energético, do desempenho dos equipamentos e da qualidade ambiental interior.

Integração e inteligência na gestão técnica dos edifícios

Uma das evoluções mais relevantes neste domínio é a utilização de sensores baseados na Internet das Coisas (IoT). Estes dispositivos, instalados nos equipamentos AVAC e nos espaços ocupados, permitem monitorizar parâmetros como temperatura, humidade, concentração de CO2, qualidade do ar interior, ocupação e consumo energético. A análise destes dados possibilita o ajuste automático de ventiladores, bombas, válvulas e unidades de climatização, assegurando simultaneamente conforto e eficiência.

A inteligência artificial (IA) tem vindo a ganhar relevância na gestão destes sistemas. Através da análise de grandes volumes de dados históricos e operacionais, os algoritmos identificam padrões de utilização e antecipam necessidades. Com base nessa informação, os sistemas ajustam automaticamente os níveis de temperatura em função da ocupação, das condições meteorológicas ou dos custos da energia, permitindo reduzir o consumo sem comprometer o conforto.

Um exemplo de aplicação destas tecnologias encontra-se nos sistemas da Aermec, nomeadamente na plataforma VMF (Variable Multi Flow), destinada ao controlo de unidades terminais como ventiloconvectores e sistemas hidráulicos. Este sistema utiliza sensores distribuídos para monitorizar continuamente as condições ambientais e ajustar o funcionamento dos equipamentos AVAC. A integração com plataformas BMS e algoritmos de inteligência artificial permite otimizar o desempenho global e implementar estratégias de manutenção preditiva, reduzindo tempos de paragem e custos associados.

Outra tendência relevante é a utilização de plataformas cloud para gestão e monitorização de sistemas técnicos, permitindo acesso remoto, maior capacidade de análise de dados e integração com outras soluções digitais.

No contexto europeu, a digitalização dos edifícios assume um papel estratégico, alinhado com as metas de descarbonização da União Europeia. A aplicação destas tecnologias aos sistemas AVAC contribui para a redução do consumo energético e para a melhoria do desempenho ambiental do edificado.

A digitalização configura, assim, um novo paradigma na gestão de edifícios, que passam a funcionar como sistemas inteligentes e adaptativos, capazes de otimizar o seu desempenho e proporcionar ambientes mais eficientes, saudáveis e sustentáveis.

Para mais informações, visite o website da CEST

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