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Entrevista

Entrevista: “A transição das caldeiras para bombas de calor é inevitável”

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“No contexto B2B ibérico, o SmartThings Pro ajuda a transformar a gestão de AVAC e do edifício numa operação mais eficiente e mais previsível, com decisões suportadas por dados e uma experiência mais simples para proprietários e operadores”.
“Na Samsung, a conectividade e a IA estão no centro da experiência do produto, tanto para o utilizador residencial como para a gestão profissional”.
“Assumimos uma abordagem muito orientada à execução: estar próximos quando o projeto está a acontecer. Ou seja, apoiar desde a fase de prescrição e desenho da solução, até à instalação, arranque e manutenção, para que o desempenho em obra corresponda ao desempenho esperado”.

A Samsung Climate Solutions está a reforçar a aposta em bombas de calor e soluções digitais de gestão em Portugal e Espanha, alinhando a estratégia com as metas europeias de descarbonização. Em entrevista, Ricardo Martins, regional head of business para a Península Ibérica, aponta o portefólio, a proximidade ao canal profissional e a formação técnica como pilares do crescimento da marca.

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A Samsung Climate Solutions tem vindo a reforçar a sua presença na Península Ibérica. Quais são os pilares estratégicos que sustentam este crescimento nos mercados português e espanhol?

Temos sustentado este crescimento em três pilares muito claros. O primeiro é foco no portefólio de soluções e nas prioridades certas por segmento, com uma oferta que responde às necessidades do mercado, sobretudo residencial, profissional e de aquecimento. O segundo é proximidade ao canal, porque neste setor o resultado depende muito da prescrição e do suporte à instalação: investimos em suporte técnico, formação e acompanhamento no terreno para garantir qualidade e consistência. E o terceiro é a capacidade de execução em projetos, desde a fase de conceção até ao pós-venda, com equipas e processos preparados para dar resposta a instalações mais exigentes.

No fundo, continuamos a crescer a cada ano porque juntamos produto adequado, parceria com o canal e boa execução, e é isso que queremos continuar a reforçar em 2026.

O setor AVAC está em rápida transformação, especialmente com as metas europeias de descarbonização. Como é que a Samsung se está a posicionar para liderar essa transição energética?

A Samsung está a posicionar-se com soluções que tornam a transição mais simples e completa para quem instala e para quem utiliza. No aquecimento, a nossa resposta passa por sistemas de bomba de calor que integram aquecimento, arrefecimento e Águas Quentes Sanitárias (AQS) num só ecossistema, com operação eficiente, silenciosa e adaptável a diferentes tipologias.

Um exemplo claro é o EHS Quint a R32, um sistema híbrido que combina ar-ar e ar-água: por um lado, permite climatização por refrigerante; por outro, assegura aquecimento e AQS por água (hidrosplit). Isto traduz-se em maior flexibilidade de instalação, mais combinações possíveis com unidades interiores (incluindo integração com soluções como ClimateHub e unidades ar-ar compatíveis com DVM/VRF) e modos de funcionamento que respondem a necessidades reais, incluindo operação simultânea e recuperação de calor.

Em paralelo, trazemos uma camada de eficiência e controlo inteligente com AI e conectividade com o SmartThings, para otimizar consumos e permitir gestão à distância. E, para garantir que esta tecnologia entrega o melhor desempenho no terreno, reforçamos o acompanhamento ao canal, desde apoio a projetistas, passando pela instalação, até ao pós-venda.

A aposta na Bomba de calor Monobloco com refrigerante R290 é um exemplo disso. O que distingue esta solução em termos de sustentabilidade e eficiência?

A bomba de calor Monobloco R290 distingue-se por combinar baixo impacto ambiental com desempenho pensado para as necessidades reais das habitações, especialmente quando falamos de substituição de caldeiras em casas existentes.

Do ponto de vista da sustentabilidade, o R290 é um refrigerante naturalmente alinhado com a evolução regulatória e com a procura por soluções com menor impacto ambiental. Mas o grande diferencial está na capacidade de entrega de temperatura, que faz diferença em projetos de renovação: muitas casas mais antigas utilizam radiadores dimensionados para trabalhar com temperaturas elevadas. A nossa Monobloco R290 consegue fornecer água quente até 75 °C¹ de forma consistente para aquecimento, tornando-a uma alternativa muito eficaz para substituir sistemas a gás sem exigir, muitas vezes, uma alteração profunda do emissor térmico.

1. Temperatura de saída de água quando a temperatura exterior se encontra entre -10 °C e 35 °C. O aquecimento de águas quentes sanitárias (AQS) que sai do depósito AQS é de 70 °C quando a temperatura exterior for entre -10 e 43 °C. Os resultados poderão variar com base nas condições de utilização.

O lançamento do SmartThings Pro na IFA 2025 marca um novo capítulo na gestão inteligente de edifícios. Que impacto espera que esta solução tenha no mercado B2B ibérico?

O SmartThings Pro vai ter impacto no B2B porque entrega, de forma muito prática, aquilo que os gestores de edifícios precisam no dia a dia: controlo centralizado, visibilidade em tempo real e otimização contínua.

Na prática, a plataforma reúne um painel de controlo simples e intuitivo, que permite monitorizar e gerir vários edifícios/localizações a partir do mesmo interface. Além do controlo operacional, o SmartThings Pro funciona como uma ferramenta de gestão energética, ao suportar a monitorização de consumos e, ao mesmo tempo, a deteção de erros e avarias em tempo real. Isto permite atuar mais cedo e, em muitos casos, resolver de forma remota, reduzindo deslocações, tempo de paragem e impacto para o utilizador final.

No contexto B2B ibérico, o SmartThings Pro ajuda a transformar a gestão de AVAC e do edifício numa operação mais eficiente e mais previsível, com decisões suportadas por dados e uma experiência mais simples para proprietários e operadores.

Do ponto de vista da inovação, quais são os produtos que melhor expressam a filosofia da marca?

No residencial, a tecnologia WindFree™ é um dos melhores exemplos porque permite manter a temperatura do espaço, no modo de arrefecimento sem correntes de ar, com uma experiência mais confortável e consistente. E esse reconhecimento não é apenas interno, o WindFree™ voltou a ser distinguido como “Produto do Ano 2026” na categoria de Climatização em Portugal, reforçando a confiança dos consumidores nesta proposta de valor. Esta tecnologia exclusiva tem sido, também, a razão pela qual a Samsung é “Marca de Confiança” desde 2023, na categoria de Ar Condicionado, num estudo de pergunta aberta a uma amostra representativa da população portuguesa. A resposta espontânea dos consumidores confirma a perceção e o reconhecimento do impacto da inovação Windfree no conforto nas suas casas.

Depois, temos soluções como a 360 Cassette, muito relevante em espaços comerciais, pela forma como combina desempenho, design e distribuição de ar pensada para espaços mais amplos. E, no aquecimento, a bomba de calor Monobloco R290 traduz bem o nosso caminho para soluções mais sustentáveis, com desempenho adequado ao contexto real de instalação. Finalmente, na área do DVM, temos capacidade para propor sistemas escaláveis e integrados, que facilitem a gestão e monitorização de edifícios, ou redes de edifícios.

Em comum, estas gamas mostram a nossa prioridade em soluções que recorrem a energia aerotérmica e que permitem evoluir para uma climatização mais eficiente e mais alinhada com a redução de emissões, face a sistemas tradicionais baseados em combustíveis fósseis.

De que forma a conectividade e a inteligência artificial estão a moldar a nova geração de soluções AVAC da Samsung?

Na Samsung, a conectividade e a IA estão no centro da experiência do produto, tanto para o utilizador residencial como para a gestão profissional.

No residencial, a nova gama 2026 traz Wi-Fi integrado de origem em toda a linha, desde a AR35 até às soluções premium da nova linha de ar condicionados WindFree™ Première e Première+. Isto permite controlar a climatização de forma simples, em qualquer lugar, e tirar partido de funções inteligentes que ajustam a operação ao uso real, com impacto direto em conforto e consumos. A ligação ao SmartThings torna o controlo mais intuitivo e consistente no dia a dia.

No profissional, a conectividade e a IA permitem passar de uma lógica reativa para uma lógica preventiva e otimizada: sistemas que ajudam a detetar desvios de operação mais cedo, a ajustar parâmetros com base no uso real do edifício e a suportar decisões com dados. Plataformas como o SmartThings Pro funcionam aqui como a camada de gestão, ligando equipamentos e operação num único ambiente, para tornar a manutenção e a eficiência mais consistentes ao longo do tempo.

A formação técnica tem sido apontada como uma prioridade para a Samsung. Quais são os investimentos que têm sido feitos nesta área e que resultados têm obtido, nomeadamente em Portugal?

Antes de mais, orgulhamo-nos de ter centros de formação dedicados e equipados em Lisboa e Madrid, para dar suporte não só aos profissionais da região ibérica, como a profissionais de outros países que também visitam estas instalações para workshops técnicos, dado que as salas estão capacitadas para simulações práticas.

Em 2025, renovámos a Academia de Lisboa e abrimos a Academia de Madrid que é, atualmente, o maior centro de formação da marca na Europa, com mais de 180m². Incentivamos o intercâmbio entre países para motivar a partilha de experiências, motor fundamental para o crescimento profissional. No ano passado, recebemos em Portugal instaladores e engenheiros da República Checa e dos países Bálticos. Em Madrid, recebemos profissionais da Roménia, da Grécia e dos países Adriáticos.

Ao longo do ano procuramos promover uma oferta completa na área da formação, impulsionando, sempre que possível, casos de sucesso para referência às boas práticas. No final do dia, comprometemo-nos a capacitar instaladores, serviços técnicos e também prescritores (arquitetos, engenheiros e projetistas) para trabalharem com as nossas gamas de forma consistente e alinhada às exigências e regulação do próprio setor. Assumimo-nos como parte integrante do desenvolvimento do profissional e do próprio mercado.

A formação é muito prática: nas áreas de seleção e dimensionamento, boas práticas de instalação, arranque e comissionamento, diagnóstico e suporte, e também a utilização das plataformas de conectividade como SmartThings e SmartThings Pro. O resultado que procuramos, e que temos vindo a observar, é uma melhor qualidade de execução, menos retrabalho e uma experiência final mais estável para o cliente, porque o equipamento fica a operar como foi concebido.

Como é que a Samsung está a trabalhar com os instaladores e outros parceiros profissionais para garantir a correta instalação e operação das suas soluções?

Assumimos uma abordagem muito orientada à execução: estar próximos quando o projeto está a acontecer. Ou seja, apoiar desde a fase de prescrição e desenho da solução até à instalação, arranque e manutenção, para que o desempenho em obra corresponda ao desempenho esperado.

No dia a dia, isso traduz-se em canais de apoio dedicados, suporte técnico direto às equipas no terreno e acompanhamento mais próximo nas soluções mais exigentes, como bombas de calor e sistemas integrados onde detalhes de instalação e parametrização fazem uma diferença grande na eficiência e no conforto. E, sempre que faz sentido, a componente digital (SmartThings e, no B2B, SmartThings Pro) é usada como uma ferramenta adicional para facilitar operação, diagnóstico e otimização ao longo do tempo.

A sustentabilidade é hoje um valor incontornável. Como é que a marca equilibra a inovação tecnológica com os objetivos ambientais e regulatórios, como o pacote “Fit for 55” ou a diretiva EPBD?

O equilíbrio faz-se com escolhas muito concretas de produto e de tecnologia. As metas europeias, como o Fit for 55 e a EPBD, levam o setor para edifícios mais eficientes e com menor impacto climático, e a nossa resposta é acelerar soluções que eletrificam o conforto e reduzem emissões através de maior eficiência.

Na prática, isto passa por uma aposta forte em bombas de calor e sistemas integrados que cobrem aquecimento, arrefecimento e AQS, porque são tecnologias que permitem aumentar a eficiência energética do edifício e substituir soluções dependentes de combustíveis fósseis. Em paralelo, acompanhamos a evolução do mercado com refrigerantes e arquiteturas de sistema mais alinhados com os requisitos atuais, garantindo desempenho em diferentes contextos, tanto em novas construções como em renovação.

E para que essa eficiência seja consistente ao longo do tempo, a conectividade tem um papel relevante: permite monitorizar consumos, ajustar utilização e tornar a operação mais previsível. No fundo, a sustentabilidade deixa de ser um “conceito” e passa a ser uma característica mensurável do produto.

Como vê a evolução do conforto nos edifícios modernos? Que papel desempenha o conceito de “inovação humanizada” que a Samsung defende?

Ao longo dos anos, a Samsung tem-se dedicado a desenvolver tecnologia inspirada nas pessoas, para que estas se sintam bem e confortáveis. O nosso propósito é assegurar o conforto das pessoas, seja em casa, no trabalho, em lazer ou em descanso. “Sinta o seu bem-estar” é o nosso slogan e assume a promessa da Samsung para a entrega de inovação mais humanizada.

Hoje, o conforto deixou de ser um extra, é uma necessidade, sobretudo com picos de calor e frio mais frequentes. As nossas soluções de climatização procuram melhorar, de forma prática, a forma como vivemos e trabalhamos, em casa e em espaços comerciais. A “inovação humanizada” é isto mesmo, tecnologia que se sente no dia-a-dia. O WindFree™ é um bom exemplo, não é apenas sobre arrefecer, é sobre criar um ambiente interior mais confortável. E com conectividade e inteligência artificial, esse conforto vai mais além, mais simples de gerir, personalizar e monitorizar, criando uma maior consciência dos consumos energéticos. A tecnologia é a facilitadora de comportamentos mais conscientes e adequados aos novos desafios de defesa e proteção ambiental.

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Na sua opinião, Portugal está preparado para a nova era da climatização? O que falta fazer?

A operação portuguesa tem vindo a ganhar relevância dentro da região ibérica, posicionando-se como um polo de referência em climatização residencial, profissional e aquecimento. Em 2025, o volume de negócios continua a registar um crescimento em Portugal, refletindo o aumento da procura por soluções mais tecnológicas da marca.

Portugal está no caminho certo, mas a nova era da climatização exige sobretudo capacidade de execução. Falta acelerar a qualificação técnica e a literacia do mercado em torno de soluções mais eficientes, especialmente no aquecimento. A transição das caldeiras para bombas de calor é inevitável e vai acontecer ao ritmo da renovação do parque edificado e dos incentivos. Por isso, formação, prescrição correta e qualidade de instalação, tornam-se tão importantes quanto a tecnologia em si.

Por fim, o que podemos esperar da Samsung Climate Solutions nos próximos anos? Quais são as áreas de aposta prioritárias até 2026?

Até 2026, a nossa prioridade é muito clara: reforçar a oferta de soluções e foco no apoio contínuo ao canal profissional.

Do lado do produto, 2026 é um ano de lançamentos relevantes. No residencial, destacamos a nova série WindFree™ Première+, com uma experiência de conforto mais avançada, mais conectada e com foco na qualidade do ar. No aquecimento, o novo EHS Quint marca um passo importante com um sistema híbrido com recuperação de calor que junta ar-ar e ar-água, pensado para flexibilidade de instalação e necessidades reais do utilizador. E no mercado profissional, com o SmartThings Pro, estamos a dar ferramentas para uma gestão mais simples e mais eficiente de edifícios, com monitorização e otimização em tempo real.

Em paralelo, continuamos a reforçar a confiança na marca Samsung através da: formação, suporte técnico e proximidade ao canal profissional, para que a tecnologia entregue desempenho real, com qualidade e consistência.

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