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A Península Ibérica pode liderar a reindustrialização europeia graças à sua vantagem em energias renováveis, mas precisa acelerar a execução e simplificar a regulamentação

IETI apresenta em Davos um roteiro para reforçar a competitividade industrial e energética de Portugal e Espanha

22/01/2026

Num contexto marcado pela crescente pressão geopolítica, a aceleração da transição energética e a perda de peso industrial da Europa face a outras grandes economias, a Iberian Industry and Energy Transition Initiative (IETI) apresentou no Fórum Económico Mundial de Davos cinco prioridades estratégicas para garantir a competitividade industrial e energética de Portugal e Espanha e reforçar, a partir da Península Ibérica, a autonomia estratégica europeia.

Da esquerda para a direita...
Da esquerda para a direita: Mónica Andrés, vice-presidente executiva para a Europa e diretora-geral da Yara International; Maarten Wetselaar, diretor executivo da Moeve; Jukka Maksimainen, sócio sénior da McKinsey & Company; Josu Jon Imaz, diretor executivo da Repsol; João Diogo Marques da Silva, co-CEO e EVP Commercial da Galp; Maria Joao Ribeirinho, sócia sénior da McKinsey & Company; David González, sócio sênior da McKinsey & Company; Francisco Reynés, presidente executivo da Naturgy; Miguel Stilwell d'Andrade, diretor executivo da EDP; Mikel Jauregi Letemendia, conselheiro do Ministério da Indústria, Transição Energética e Sustentabilidade do Governo Basco; Maria João Carioca, co-CEO e CFO da Galp e Agustin Delgado, diretor de Inovação e Sustentabilidade da Iberdrola.

Pelo segundo ano consecutivo, a IETI — uma plataforma intersetorial liderada pela McKinsey & Company em conjunto com grandes grupos industriais e energéticos como ACS, EDP, Galp, Iberdrola, Moeve, Naturgy, Repsol e Técnicas Reunidas — atualizou a sua análise sobre o papel que Portugal e Espanha podem desempenhar na reindustrialização europeia impulsionada pela transição energética. A análise da McKinsey & Company aponta que estes dois países poderiam gerar, em conjunto, até um bilião de euros em valor acrescentado e um milhão de empregos até 2030.

Apesar de a Península Ibérica ter vantagens estruturais únicas, o tempo para capitalizá-las está a esgotar-se. A execução, mais do que o diagnóstico, será o fator decisivo.

Vantagem competitiva ibérica: energia renovável e base industrial

De acordo com a análise apresentada em Davos, Portugal e Espanha podem situar-se na vanguarda da competitividade europeia graças a uma combinação de fatores dificilmente replicáveis noutras regiões do continente. Entre eles, destaca-se uma vantagem de custos em energias renováveis de cerca de 20%, derivada de condições naturais favoráveis, bem como uma base sólida em combustíveis renováveis, infraestruturas energéticas existentes e capacidades industriais consolidadas.

Esta combinação permitiria a ambos os países reindustrializar-se mais rapidamente, impulsionar o crescimento económico e reforçar a autonomia estratégica europeia em setores básicos. Nas palavras de Miguel Stilwell d'Andrade, diretor executivo da EDP, “a Península Ibérica já demonstrou que a energia limpa pode escalar”, sublinhando que a vantagem competitiva futura não virá de uma maior regulamentação, mas de uma execução mais rápida, com licenças ágeis, regras estáveis e redes modernas e interligadas.

Sinais positivos, mas com lacunas estruturais persistentes

A atualização do Índice IETI, que acompanha 21 indicadores relacionados com a transição energética e a indústria, mostra uma evolução na direção certa, embora seja necessário acelerar o progresso para superar as lacunas estruturais industriais.

Entre os sinais encorajadores, o relatório destaca o aumento dos projetos após a decisão final de investimento (pós-FID), que se multiplicaram por dois em Espanha e por cinco em Portugal. Também mantêm uma trajetória positiva as incorporações de capacidade de geração, o desenvolvimento de gases renováveis e o armazenamento de energia em pequena escala, o que poderia significar uma melhoria progressiva dos resultados industriais e da autonomia estratégica.

No entanto, o diagnóstico continua a apontar para fragilidades estruturais no domínio industrial. O investimento em I&D — situado entre 1,5% e 1,7% do PIB —, a produtividade laboral, a qualidade regulatória e o peso da indústria na economia permanecem estagnados, abaixo da média europeia e dos Estados Unidos.

Em contrapartida, alguns indicadores industriais mostram sinais de recuperação, como a produção de veículos em Espanha (2,4 milhões de unidades) e o emprego industrial (2,9 milhões de pessoas em Espanha), que avançam em linha com os objetivos fixados para 2030.

Transição energética: Espanha em linha, Portugal à frente

O relatório indica que, em matéria de transição energética, Espanha avança conforme previsto e Portugal está à frente da curva, com indicadores especialmente positivos em termos de implementação de energias renováveis, preços da energia e eletrificação dos transportes. Portugal já atinge 35% de energias renováveis no seu mix elétrico, enquanto os preços da energia em Espanha estão 27% abaixo da média da União Europeia. A adoção do veículo elétrico também se destaca, com 40% das vendas em Portugal. Ainda assim, o relatório sublinha que continuam a ser necessários incentivos ao investimento em redes elétricas e à implantação de moléculas renováveis.
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Cinco prioridades para passar da ambição à execução

Conscientes de que a janela de oportunidade está a fechar-se, os membros do IETI apresentaram em Davos cinco iniciativas prioritárias para desbloquear o potencial da Península Ibérica e liderar a transição energética e a reindustrialização europeia.

1. Mais ambição e coordenação em setores estratégicos

A primeira prioridade passa pela criação e expansão de ecossistemas industriais em áreas estratégicas como combustíveis e moléculas renováveis, baterias, defesa, capacitação tecnológica e inteligência artificial, em linha com a estratégia europeia de competitividade. Como principais alavancas para alcançar esse objetivo, o relatório cita planos setoriais como o Plan Auto 2030 de Espanha e garantias públicas para assegurar a procura.

2. Regulamentação orientada para a competitividade

O IETI reclama quadros regulatórios simplificados, estáveis e centrados em resultados, que eliminem barreiras ao investimento, incentivos focados e um ambiente baseado na neutralidade tecnológica para reduzir os custos contextuais. O chamado 28.º regime a nível da UE, licenciamento mais rápido, novos mecanismos de financiamento como contratos por diferença e 'one-stop-shops' para investidores são fatores decisivos.

Josu Jon Imaz, diretor executivo da Repsol, assinalou que, embora algumas iniciativas recentes da UE vão na direção certa, "não é suficiente" e são necessárias medidas mais concretas, coerentes e escaláveis, evitando um desenvolvimento regulatório fragmentado e preservando a neutralidade tecnológica.

3. Acelerar infraestruturas críticas

A terceira prioridade centra-se no reforço do investimento em redes elétricas, armazenamento, transporte e logística. O comunicado recorda que mais de 70 empresas industriais em Espanha alertaram para a situação crítica das redes de distribuição, onde atualmente a maioria dos pedidos de ligação é recusada. A revisão dos regimes de remuneração poderia acelerar a implantação.

Agustín Delgado, diretor de Inovação e Sustentabilidade da Iberdrola, sublinhou que a eletrificação é imparável e que o forte crescimento da procura em climatização de edifícios, transportes, indústria e novas utilizações relacionadas com a digitalização exigirá mais redes, mais armazenamento e mais energias renováveis, proporcionando estabilidade de preços, competitividade e emprego local.

4. Redobrar a aposta na inovação

A quarta linha de ação passa por aumentar o investimento em I&D, apoiando-se em incentivos fiscais, centros de excelência e mecanismos de cofinanciamento para tecnologias industriais e de descarbonização pioneiras. Francisco Reynés, presidente executivo da Naturgy, destacou a importância de fomentar a ambição, garantir um financiamento competitivo, oferecer incentivos fiscais e agilizar os procedimentos administrativos para que a inovação atue como motor do desenvolvimento futuro.

5. Desbloquear a produtividade do talento

Por último, o IETI coloca o foco no capital humano, reclamando programas de requalificação em grande escala, ferramentas de produtividade baseadas em inteligência artificial, incentivos fiscais e vistos específicos para atrair e reter talento de topo. Juan Lladó, presidente executivo da Técnicas Reunidas, insistiu que desbloquear este potencial exigirá uma colaboração público-privada sem precedentes e uma execução mais ágil dos projetos, eliminando gargalos nas licenças, redes e financiamento de novas tecnologias de baixo carbono.

Uma oportunidade estratégica para a Europa

Na perspetiva dos participantes, Portugal e Espanha estão em condições de se tornarem um pilar da segurança energética, da resiliência industrial e do crescimento sustentável europeu. Maria João Carioca e João Diogo Marques da Silva, co-CEOs da Galp, salientaram que, com quadros claros e previsíveis, a Península Ibérica pode desempenhar um papel decisivo no reforço da competitividade europeia.

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