Sabemos que temos um edifício de elevadíssimo desempenho, uma vez que tem um desempenho Passive House obtido através da ferramenta Passive House Planning Package (PHHP), e tem consumos baixíssimos de energia na sua operação, através dos resultados da monitorização.
É possível encontrar mais informação sobre o projeto e os resultados na base de dados de Passive Houses, no portfolio da Homegrid.
Os dados do desempenho podem ser acedidos de forma livre na nossa plataforma de monitorização em tempo real, disponível aqui. É possível encontrar mais informação sobre a plataforma e no nosso site. Na Casa da Palmeira estamos a monitorizar apenas 1 dos 2 fogos existentes.
Agora que passam dois anos desde o início da monitorização, quisemos analisar de forma mais profunda os consumos de energia reais e compará-los com os valores obtidos nas estimativas iniciais.
A monitorização, além dos consumos de energia (instantâneos e totais), também recolhe os dados das condições interiores (temperatura, humidade relativa e concentração de CO2) e exteriores (temperatura e humidade relativa).
No que respeita ao desempenho energético, são recolhidos os dados dos seguintes parâmetros:
• Consumo total de energia
• Consumo de energia para o aquecimento e arrefecimento (ar condicionado 1 unidade split 2,5 kW)
• Consumo de energia para as águas quentes sanitárias – AQS (bomba de calor 2,2 kW)
• Consumo de energia para a ventilação (unidade de ventilação mecânica com recuperação de calor; eficiência 82%; consumo elétrico 0,27 Wh/m3)
• Consumo de energia do frigorífico (221 kWh/ano)
• Consumo de energia da placa e do forno (6,3 kW, 2,6 kW respetivamente)
• Geração de energia (2 painéis fotovoltaicos 0,76 kW)
Nota: os dados recolhidos dizem respeito à utilização de 1 fogo. Para obtermos os consumos totais da casa, multiplicamos os valores por 2, considerando o mesmo perfil de utilização em ambos os fogos.
Os resultados estimados no balanço energético, através do PHPP, são de 923 kWh/a no total, sendo 866 relativos ao aquecimento e 57 ao arrefecimento. No PHPP foram consideradas as eficiências de aquecimento (fator de 2,65) e de arrefecimento (fator de 6,20) declaradas pelo fabricante da bomba de calor.
• Diferença entre as condições climatéricas do período da monitorização e os dados climáticos usados na simulação, sendo que estes últimos são dados climáticos históricos com médias de 30 anos. Sabe-se que os anos de 2023 e 2024 foram anormalmente quentes, tendo 2023 sido o 2º ano mais quente e 2024 o 4º ano mais quente desde 1931.
Sabe-se também que, por exemplo, a temperatura média no mês de janeiro de 2024 em Ílhavo situou-se entre os 12° e os 14°C, sendo que os dados climáticos históricos apresentam uma temperatura média para o mês de janeiro em Ílhavo de 9,5°C (Boletim Climático Portugal Continental – janeiro 2024, IPMA)
• Diferentes padrões de conforto. Na simulação no PHPP, as necessidades de energia são obtidas para ter uma temperatura mínima de 20°C no inverno e de 25°C de temperatura máxima no verão. Na operação do edifício é possível que estes limites não sejam cumpridos em permanência.
• Diferentes padrões de utilização dos fogos em relação ao padrão de utilização standard definido na simulação no PHPP.
Os resultados estimados no balanço energético, através do PHPP, são de 682 kWh/a. No PHPP foi considerada a eficiência de aquecimento com um fator de 4,08, de acordo com os valores declarados pelo fabricante da bomba de calor.
• Os resultados da monitorização apresentam um consumo total de energia inferior àquilo que foi estimado, sobretudo devido sobretudo às menores necessidades de energia para a climatização que correspondem a 6% do total de energia consumida.
• As necessidades de energia para climatização (aquecimento + arrefecimento) nesta Passive House são extremamente baixas. Por exemplo, o consumo elétrico do frigorífico é praticamente o dobro do consumo elétrico para a climatização.
• Verifica-se também que as necessidades de energia para AQS são o maior consumidor de energia nesta Passive House, correspondendo a uma fração superior a 1/4 de todo o consumo.
• A eletricidade gerada corresponde a cerca de 30% do consumo total medido, apenas com dois painéis fotovoltaicos (potencia de 0,76kW) em regime de autoconsumo. A eletricidade que não é utilizada no momento da sua geração é enviada para a rede sem remuneração.
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